terça-feira, 23 de junho de 2009

Prêmio Nobel de Medicina/Fisiologia de 1923


Não há dúvida do quão importante foram os trabalhos de Nicolae Paulescu e da equipe de Banting que possibilitaram o tratamento de diabéticos por meio de injeções de insulina. Contudo, várias figuras da ciência e até indivíduos que conhecem um pouco da história da insulina já tomaram partido quanto à seguinte questão: É a equipe de Banting a verdadeira merecedora do Nobel de 1923 ou Nicolae Paulescu quem realmente deveria tê-lo recebido? Daqui a alguns anos já será o centenário da entrega desse prêmio e para não deixá-los de fora dessa discussão vamos apontar os pontos de vista de cada um dos lados e você vai poder tirar suas conclusões.
.Paulescu foi quem realmente publicou o primeiro trabalho(1921) sobre a diminuição da glicosúria ao se aplicar extratos pancreáticos aquosos em cães. É claro que os primeiros trabalhos sobre esse assunto não foram dele (Zuelzer e Kleiner), contudo ele foi o primeiro a publicar, o que realmente conta oficialmente.
.É apontado por muitos como o verdadeiro descobridor da insulina. (Foi de fato reconhecido somente meio século após a primeira patente).
Por que o Prêmio Nobel de medicina de 1923 foi então dado a equipe de Banting?
.A comissão do Karolinska Institutet, que indica os laureados ao Prêmio Nobel de Medicina, afirmou que a escolha da equipe de Banting como a vencedora se deve ao fato de terem sido eles quem primeiro criaram a extração prática da insulina. No entanto, o que é conhecido pela maioria das pessoas e está até em sites(
http://www.nobelpreis.org/portugues/medizin/macleod.htm) é que foram agraciados pela descoberta da insulina.
Por fim, não é intenção de nenhum componente do grupo tomar partido nessa discussão. Com certeza o prêmio Nobel dado à Banting e Mcleod não foi desmerecido, ora porque o bem que fizeram à humanidade ao possibilitar o tratamento de diabéticos por meio de injeções de insulina é imensurável. O que realmente deve-se parar para pensar é se o Nobel deveria ser pela descoberta da insulina. Contudo, finalmente há de se reconhecer a grande importância de Nicolae na história da insulina, pois foi reconhecido como o descobridor e também um precursor de fundamental importância. Para saber mais sobre a descoberta da insulina leia o livro de Michael Bliss: The Discovery of Insulin.
Referências bibliográficas:

domingo, 21 de junho de 2009

Insulina, um anabolizante?

Se perguntado aleatoriamente a pessoas sobre o que é a insulina, a grande maioria diria que se trata de um hormônio, e, talvez, uma minoria iria além e acrescentaria que é um hormônio que induz a captação de glicose pelo organismo, diminuindo a glicemia. Porém, a insulina vai muito além disso, contribuindo não só para o status glicêmico do corpo, mas para uma enorme gama de reações metabólicas de cunho anabólico.

A Insulina é um hormônio peptídico formado por 51 resíduos de aminoácidos e de peso molecular de 5808 Da. Ela é produzida nas células beta (células β) do pâncreas, presentes nas chamadas ilhotas de Langerhans do pâncreas, uma glândula mista localizada posteriormente ao estômago, na cavidade abdominal. A insulina não é exclusividade dos seres humanos, estando presente em outras espécies animais, porém com relativas diferenças estruturais. Sua estrutura receberá atenção maior em postagens futuras.


Os níveis de insulina no sangue variam de forma intermitente, sendo controlados basicamente de acordo com os níveis plasmáticos de glicose. Porém, uma vez liberada em resposta à hiperglicemia, ela atuará amplamente no organismo promovendo anabolismo. As principais ações anabólicas são:
  • Entrada de glicose na célula e parada da liberação de glicose pelo fígado, o que induz a um aumento na síntese de glicogênio hepático e muscular (reposição dos níveis de glicogênio corporal);
  • Inibição de lipólise pelo tecido adiposo e “indiretamente” da β-oxidação de ácidos graxos, promovendo assim a síntese de triglicerídeos pelos adipócitos;
  • Inibição de proteólise, ou seja, estimula a diminuição da degradação de proteínas do organismo;
  • Aumenta o consumo de aminoácidos, ou seja, induz as células à absorção de aminoácidos circulantes (facilitação de síntese proteica);
Portanto, como vocês podem observar, a insulina pode auxiliar tanto no ganho de massa magra, devido à ótima captação de nutrientes e aceleração na ressíntese tecidual, como também pode ajudar no aumento da gordura corporal.

Por isso a insulina pode ser considerada um hormônio de características anabólicas. Porém vale ressaltar que tais ações, e a própria liberação de insulina no organismo, só ocorrem se o metabolismo estiver “saciado” de nutrientes, ou mesmo com um excedente nutricional em voga. Logo, se houver qualquer carência energética, os níveis altos de insulina logo serão substituídos por glucagon e quaisquer ações anabólicas serão logo interrompidas.

Com essa pequena introdução da funcionalidade da insulina, fica claro seu importante papel metabólico, trata-se, sem dúvida, do mais importante hormônio do metabolismo energético.

Auxilio:

http://en.wikipedia.org/wiki/Insulin#Synthesis

http://www.fisiculturismo.com.br/artigo.php?id=217&titulo=Insulina:+entendendo+a+import%C3%A2ncia+desse+horm%C3%B4nio.html